Talvez espere até
ter cabelos brancos
Estou quase a chegar ao fim
da minha caminhada. Estes últimos quatro anos foram fantásticos,
e não os trocava por nada. Estou pronto para a minha
partida!
Contudo sinto em mim uma
vontade de tomar o leme e avançar; avançar no sentido de
dar aos outros tudo o que recebi
mas serei eu capaz de
transmitir aos jovens aquilo que sinto, estarei realmente
vocacionado para ser dirigente deste imenso e confuso CNE?
Esta é a minha questão do momento! Terei eu qualidades
necessárias para incutir aos mais novos o verdadeiro espírito
escutista, e consequentemente ser um dos responsáveis
directa ou indirectamente pela sua conduta na vida social.
Tenho desejo de dar ao meu CNE tudo aquilo que me deu, mas
qual será o meu lugar? Na minha opinião um dirigente
minimiza as suas hipóteses de ser mau sucedido se trabalhar
naquilo em que é realmente bom. Mas serei bom em quê? Não
quero ser mais um lenço verde
Não quero ser um
daqueles dirigentes de gala, que só se vêem em grandes
eventos ou em concelhos de núcleo ou região a pavonear-se
com as suas medalhas
Não quero
Não quero
Ao mesmo tempo vejo que para se conseguir alguma mudança, há
que estar do lado ou receber uma palmadinhas nas costas dos
homens dos cabelos brancos
sim porque no meu CNE quem
comanda são os cabelos brancos. Concordo que a sabedoria e a
vivência são um recurso importantíssimo, mas no estado em
que estamos não será demais? Sou a favor do equilíbrio.
Mais uma vez me pergunto
quero ser dirigente do CNE? E respondo com toda a clareza:
QUERO! Mas talvez espere até ter cabelos brancos para tentar
alguma coisa!
Castor Atento