Talvez espere até
ter cabelos brancos
Caro Castor Atento:
Ao ler a tua carta dei por
mim a pensar em várias coisas
Vai daí tomei a liberdade
de te dizer algumas delas.
1- Dar-te os parabéns pelo
aproximar do final da tua caminhada e também por tudo de bom
que nela hás-de ter atingido.
2- Quero dizer-te que, antes
de mais, deves pensar calmamente a tua decisão de te
tornares dirigente.
Ou seja, julgo que não a
deves encarar como um passo lógico da tua vivência
escutista.
Quando eu saí dos
Caminheiros ouvia alguns dizerem que o ideal seria que a
malta se afastasse do agrupamento, conhecer outras vivências,
outras realidades e, se depois desejasse, regressar.
Evidentemente que na altura
eu era contra isto (como contra muitas outras coisas). Hoje
entendo esta atitude como a mais lógica, sensata e acertada.
3- Não quero com isto dizer
que o devas fazer. Estou só a transmitir-te algumas ideias
de quem esteve desse lado ainda não há muito tempo
4- As dúvidas que
apresentas relativamente à tua (in)capacidade para seres
dirigente do CNE só vêm dar uma boa impressão a teu
respeito. Fizessem essa pergunta todos aqueles que se
candidatam a sê-lo e se calhar isto andava bem melhor.
Melhor ainda era que todos
os que já o são a fizessem também de vez em quando. Então
aí isto melhorava mesmo
5- Para princípio de
introspecção já tens uma boa Carta de Intenções:
já sabes o que não queres! (Não quero ser um
daqueles dirigentes de gala, que só se vêem em grandes
eventos ou em concelhos de núcleo ou região a pavonear-se
com as suas medalhas
Não quero
Não quero
)
Sabendo o que não se quer
é mais fácil evitar armadilhas.
6- Discordo em absoluto de
ti é quando dizes Ao mesmo tempo vejo que para se
conseguir alguma mudança, há que estar do lado ou receber
uma palmadinhas nas costas dos homens dos cabelos brancos
sim porque no meu CNE quem comanda são os cabelos brancos.
Olha no meu CNE
quem comanda são os miúdos! São os rapazes e raparigas com
quem trabalhei (porque infelizmente motivos académicos me
mantêm impossibilitado de chefiar a minha Unidade). Não são
os pais, nem o Chefe de Agrupamento, nem os Chefes disto ou
daquilo.
São os miúdos. Ask
the boy, dizia B.P.
E da minha experiência te
digo muito honestamente: trabalhando-se bem com os miúdos a
palavra espalha-se e quando dás por ti tens os cabelos
brancos ao pé de ti a pedirem-te para ajudares a mudar
alguma coisa.
Comigo foi assim.
Por isso reflecte bem,
pondera e se decidires avançar
avança mesmo, pega
o boi pelos cornos, sem medos!
Uma canhota amiga.
Nuno Cardoso
Mocho Desvairado