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Edição 08

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Talvez espere até ter cabelos brancos

Caro Castor Atento:

Ao ler a tua carta dei por mim a pensar em várias coisas…

Vai daí tomei a liberdade de te dizer algumas delas.

1- Dar-te os parabéns pelo aproximar do final da tua caminhada e também por tudo de bom que nela hás-de ter atingido.

2- Quero dizer-te que, antes de mais, deves pensar calmamente a tua decisão de te tornares dirigente.

Ou seja, julgo que não a deves encarar como um passo lógico da tua vivência escutista.

Quando eu saí dos Caminheiros ouvia alguns dizerem que o ideal seria que a malta se afastasse do agrupamento, conhecer outras vivências, outras realidades e, se depois desejasse, regressar.

Evidentemente que na altura eu era contra isto (como contra muitas outras coisas). Hoje entendo esta atitude como a mais lógica, sensata e acertada.

3- Não quero com isto dizer que o devas fazer. Estou só a transmitir-te algumas ideias de quem esteve desse lado ainda não há muito tempo…

4- As dúvidas que apresentas relativamente à tua (in)capacidade para seres dirigente do CNE só vêm dar uma boa impressão a teu respeito. Fizessem essa pergunta todos aqueles que se candidatam a sê-lo e se calhar isto andava bem melhor.

Melhor ainda era que todos os que já o são a fizessem também de vez em quando. Então aí isto melhorava mesmo…

5- Para princípio de introspecção já tens uma boa “Carta de Intenções”: já sabes o que não queres! (“Não quero ser um daqueles dirigentes de gala, que só se vêem em grandes eventos ou em concelhos de núcleo ou região a pavonear-se com as suas medalhas… Não quero… Não quero…”)

Sabendo o que não se quer é mais fácil evitar armadilhas.

6- Discordo em absoluto de ti é quando dizes “Ao mesmo tempo vejo que para se conseguir alguma mudança, há que estar do lado ou receber uma palmadinhas nas costas dos homens dos cabelos brancos… sim porque no meu CNE quem comanda são os cabelos brancos.”

Olha no “meu CNE” quem comanda são os miúdos! São os rapazes e raparigas com quem trabalhei (porque infelizmente motivos académicos me mantêm impossibilitado de chefiar a minha Unidade). Não são os pais, nem o Chefe de Agrupamento, nem os Chefes disto ou daquilo.

São os miúdos. “Ask the boy”, dizia B.P.

E da minha experiência te digo muito honestamente: trabalhando-se bem com os miúdos a palavra espalha-se e quando dás por ti tens os “cabelos brancos” ao pé de ti a pedirem-te para ajudares a mudar alguma coisa.

Comigo foi assim.

Por isso reflecte bem, pondera e se decidires avançar… avança mesmo, “pega o boi pelos cornos”, sem medos!

Uma canhota amiga.

Nuno Cardoso
Mocho Desvairado

Talvez espere até ter cabelos brancos | Golfinho Mergulhador | Rôla Atenta | Mocho Desvairado

 

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