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Um CNE sem Escutismo …

Um CNE sem Escutismo …..

Há tempos por volta de Setembro um colega de trabalho, por ter sabido que eu era Escuteiro, veio procurar saber como funcionava isto do Escutismo, pois tinha um filhote com 7 anos, que estava farto de o chatear com este pedido.

A origem desta insistência, estaria em alguns amigos da escola, que também andavam nos Escuteiros e lhe transmitiam todas as aventuras e brincadeiras, que pelos vistos adoravam.

E tornaram-se contagiantes.

E ele já não sabia o que fazer ao longo do último ano para o calar, pois como Pai não achava grande piada aos Escuteiros e o filho já tinha actividades extracurriculares em demasia.

Fiquei contente com o desafio e logo ali, combinei um almoço, onde pudéssemos trocar algumas informações sobre este assunto.

De 1 passou para 2 encontros, onde fui esclarecendo sobre os Valores Cristãos e a Proposta Pedagógica Escutista que estava subjacente, que ajudava os Enc de Educação a Educar e sobretudo o Jovem a descobrir a Vida, enquadrado num Grupo de referencia juvenil com Animadores Adultos voluntários e muito dedicados.

Acabei esta ronda, por lhe fornecer alguns contactos de agrupamentos próximos do local de residência,assim como o endereço do site nacional na net, desejando-lhe felicidades a ele e sobretudo ao filhote, que teria um sonho realizado.

Passou algum tempo. Cruzei-me varias vezes com o meu colega e nunca tocou no assunto.

Ontem após o Natal, brinquei com ele no corredor, “ então o teu filho já fez a actividade de Natal nos Escuteiros?”

Senti nos olhos dele algo estranho…e respondeu-me.

“Logo tomamos um café e falamos disso.”

Nessa tarde, fomos tomar café e lá me disse que tinha decidido que o filho não entraria para os Escuteiros.

E acabou por desabafar a custo, a razão:

Há tempos atrás saiu um fim de semana com a família, dando uma volta de carro.

Por volta da hora do almoço, entrou em Fátima num restaurante.

Poucos minutos depois de estar sentado, o seu filho puxou-lhe a mão e diz-lhe:" olha Escuteiros!"

Sentaram-se na mesa ao lado e o filho do meu colega estava embasbacado....

Eram 4 Escuteiros “fardados “, 3 já com cerca de 50\60, um outro mais novo com cerca de 30 anos.

Um após outro começaram a fumar. Vinham excitados e a conversa era feita inicialmente em surdina e ao longo do repasto, cada vez mais eloquente.

O fumo incomodou o meu colega e sobretudo as longas baforadas atiradas para o lado, onde estavam as restantes mesas com clientes.

Entretanto os jarros de vinho foram-se esvaziando.

A conversa era toda ela "política".

Falavam de oposição, dinheiros, subsídios, processos e que fulano de tal sitio estava com eles, mas que o outro os atraiçoou, e conforme o álcool continuava a vir para a mesa, mais se conciliavam e urdiam estratégias e nomes…o á vontade era tanto que já escapavam entre dentes algumas asneirolas….

O meu colega diz que teve que os chamar a atenção para o fumo do tabaco, e para certa linguagem.

Levou como resposta, " ali não é proibido fumar".

A indiferença foi geral, contiveram-se no palavreado, mas continuou o ambiente da urdidura e do tabagismo.

Diz ele que fez os possíveis por sair dali o mais rápido possível, pois estava enjoado com tal companhia….

À saída o filho disse-lhe:

"Sabes pai, desisti dos Escuteiros pois não quero ser como estes aqui…tenho que avisar os meus amigos…."

E a história acaba aqui.

Tinha um nó bem grande na garganta e nem sabia bem o que fazer.

O meu colega levantou-se e antes de sair disse-me:

"Sabes tudo aquilo me pareceu bem diferente do que me tentaste vender inicialmente. Não preciso que o meu filho ande com gente desta para se estragar.

Ainda andas nos Escuteiros?" ...e afastou-se.

BP tinha muita razão sobre o poder do exemplo.

Fiquei sozinho naquela mesa com um nó na garganta, do tamanho do Mundo.

É por estas e por outras…. que ainda estou no CNE…..apesar de tudo!

Raposa Branca

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