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Resposta ao artigo Sobre o que estamos a construir o CNE

Olá Lince Silencioso

Li o teu artigo na Derivas Sobre o que estamos a construir o CNE.

Gostei bastante.

(Espero que um dia destes tenhamos a oportunidade de falar profundamente sobre o assunto.)

Porque tocas na ferida que alguns já tocaram. Mas concordo que está longe de ser sarada....

Não vai ser a Formação que te vai dar respostas à diminuição crescente de Recursos Adultos.

Podes aprender algumas tácticas, mas as soluções passam primeiro pela reflexão local, sobre a vossa realidade.

E quem a faz? O PAL?

O teu Núcleo andou e anda distraído… tanto que passa a vida a gerir o imediato, sem capacidade (e por vezes vontade) de reflectir internamente como pode auxiliar os agrupamentos nesse Escutismo de Excelência.

Recordo, com algum pesar, comentários de alguns responsáveis, que o que importa é estar aberto o grupo, independentemente das qualidades, fragilidades ou mediocridades… (afinal os miúdos são parafusos?)

Existe uma crise enorme no Voluntariado.

Hoje as pessoas profissionalmente têm desafios que há 10/20 anos eram raros.

Trabalhar 12/14 horas, incluindo fins-de-semana, e logo aí… muitos voluntários desaparecem…

Ou seja diminui a disponibilidade efectiva (Tempo)… mas não só.

Correndo o risco de parecer injusto.

Recordo que hoje existe maior acomodação por parte de alguns Recursos Adultos.

Facilmente hoje dizemos que sim e... amanhã não.

No meu tempo o casamento e a vinda de filhos não era impeditivo de continuar a apoiar os Escuteiros.

Hoje é o contrário….

No fundo a noção de Compromisso também se tornou mais relativa, mais volúvel, mais cinzenta…

Em face do recuo de Companheiros no Barco, quem fica, tem que fazer o milagre da multiplicação e da ubiquidade, com o peso tal como dizes, a dobrar nas costas, de cargos, funções, responsabilidades, etc.

Alguns recorrem à IV, para tapar buracos… dinamitam os clãs, empurrando os jovens rubros para ajudas na secção que se tornam em tapa buracos…

Por fim, por que razão alguns desanimam e desaparecem?

Porque, no Voluntariado, o teu “salário” é seres reconhecido pelo que fazes, pois é gerador de motivação e ajuda a dar sentido ao que fazes. Mesmo cansado, sentes-te satisfeito e em paz.

Ninguém aguenta muito tempo, quando depois do muito que se dá, tem como "retorno" ingratidão e oportunismo.

Mesmo que a Fé te anime para Dar sem receber, duvido que consigas fixar alguém que não se sente integrado e feliz no voluntariado e viva em Família Fraterna no seu Agrupamento.

Parte da solução para o que falas, passa pelos Recursos Adultos:

- Por saber efectuar o Apelo correcto;
- Por Recrutar perfis indicados;
- Por lhes proporcionar Formação adequada;
- Por criar laços de Fraternidade Família;
- Por reconhecer a importância do seu trabalho.

O resto virá por acréscimo, Deus dará :)

Canhota amiga

Raposa Branca - Henrique Dias

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