À pressa?
Depressa e bem, não há
quem, diz o povo. O pessoal é que, parece, não leva a
sério o povo, infelizmente.
Recentemente, a Secretaria
Nacional dos Adultos lançou os manuais do CI e do CIP. Quem
nunca fez (ou tentou fazer) coisas deste género, ou até
algo mais simples como um artigo para um jornal ou revista, não
faz ideia da facilidade com que surgem erros. Essa facilidade
é directamente proporcional ao volume de trabalho e texto
envolvidos. São dezenas, centenas ou milhares de linhas de
texto, com uma organização mais ou menos complexa, com
imagens e respectivas legendas. Não é fácil!
No manual do CIP, aparece um
módulo interessante denominado Área D Módulo
D.3.4 - Tipografia/Orientação. É de se perguntar:
tipografia?! Os textos já trazem o termo correcto: topografia.
Um pequeno erro que escapou ao crivo de um eventual revisor?
É possível. Alguma pressa no lançamento dos manuais?
Compreensível.
Não vem grande mal ao mundo
que aqui ou além apareçam, uma vez por outra, um erro ou
uma gafe. Mas, que mecanismos usamos para evitar que apareçam?
Que imagem associativa passamos aos adultos e jovens quando
as nossas publicações vêm abastecidas com mais erros e
gafes do que seria aceitável? Há gente
incumbida de rever textos e provas? Há o cuidado e a
preocupação de publicar manuais sem falhas? Ou aceita-se
como normal e desculpável a existência de pontapés na gramática
e na ortografia? Será a pressa que condiciona a falta de
revisão de textos? Ou é a falta de gente disponível para
os rever?
No fim, um encolher de
ombros e um sorriso de cumplicidade são quanto baste?
Pedro Monteiro