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Asdrúbal, condutor de carroças e exímio educador

Não tem que se chamar Asdrúbal, nem tem que ser condutor de carroças, mas a descrição leviana de um carroceiro aparentemente inculto e saloio serve perfeitamente como ponto de partida.

Ponto de partida para meditar sobre a Educação - seja ela formal ou informal - que tanto fracassa. Não é fácil lidar com a massa humana, é obra fazer pão quase sem farinha, e educar jovens tem muito que se lhe diga. Ou não!

Sinto-me tentado a dizer que não. Educar jovens não tem assim tanto que se lhe diga. A Educação de um jovem, que é uma coisa bem diferente de uma formação universitária, dá azo a dezenas de erros por parte dos adultos disso encarregues. E tanto erram os incultos como os cultos. Tanto erra o pedreiro como o professor catedrático. Tanto é mau educador um varredor de ruas como um professor. Ser-se filho de um ilustre alagado de cultura ou de um poço de ignorância não quer dizer absolutamente nada quando está em causa a sua Educação, a formação do seu carácter, a sua forma de estar no mundo e de se relacionar com os outros, a sua autonomia, ou a sua capacidade de discernimento.

Se um pedreiro consegue educar com melhores resultados o seu filho, do que um doutorado em educação consegue educar o seu próprio, é de pensar se, afinal, a Educação não será demasiado simples. Tão simples que possa ser feita por um carroceiro chamado Asdrúbal. E tão aquém dos inúmeros tratados e dissertações sobre o assunto.

Talvez seja do excesso de teorias sobre o assunto, ou da confusão gerada por situações mal resolvidas. Talvez seja do laxismo e da condescendência. Uma pitada de tolerância aqui, um olho fechado acolá. Um encolher de ombros num dia, a cera no ouvido no outro. Uma dúvida levada pelo vento, uma recordação mal compreendida, ou uma telenovela que recebe mais atenção que o próprio filho.

Talvez o fracasso na Educação resulte directamente da fraqueza de alguém que não quer assumir uma posição que se exige firme, decidida e inquebrável. Alguém que encaminha o jovem por um trilho feito de curvas e contracurvas, buracos e desvios, rodopios e retornos, em vez de o fazer seguir por um caminho a direito e sempre em frente! Um caminho com regras. Sim, sempre com regras!

Afinal, que distingue um jovem educado de outro que nem por isso? A que associamos esta distinção? A regras? Eu diria que sim. Um jovem educado será alguém que compreende e aceita que vivamos num mundo com regras? Será um jovem que acredita que é com essas regras que conseguimos viver pacificamente em sociedade? Será um futuro cidadão que saberá que é com regras que se consegue ter um mundo melhor? E, dessas regras, não farão parte as “regras” de boa convivência, as “regras” do espírito cristão para com os outros?

Se abundam os casos de pessoas bem educadas e formadas por pais com pouca formação académica, assim como os casos de pessoas mal educadas e mal formadas por pais alagados em cultura e teorias da educação, não será caso para pensar no que andamos, afinal, nós, educadores, a fazer? Não andaremos a pensar demasiado na Educação, em vez de a darmos com firmeza e consciência?

Pedro Monteiro

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