Floribela
Se havia anedotas e
graçolas sobre a possibilidade de a Floribela virar
imaginário para uma actividade de escuteiros, então já
não é preciso gracejar mais. Já é uma realidade no CNE!
Não interessa em que agrupamento(s), mas já aconteceu.
Se os miúdos vivem num
mundo praticamente limitado ao populismo da programação da
televisão, era de esperar que, mais tarde ou mais cedo, por
via da interpretação fanática do Ask the boy,
a Floribela fosse eleita. Até porque, convenhamos, um Fogo
de Conselho embalado pelo repertório musical daquela série
televisiva seria o máximo! Ui! Adereços à base de
sapatilhas e saias floridas! Ui! Um jogo de pista para
descobrir uma mensagem de amor escondida! Ui! Em vez de um
Ataque ao Castelo, podiam sentar-se numa rodinha
e jogar ao Quem gosta de mim?. Ui!...
É assim tão educativo e
pedagógico deixar sempre nas mãos dos miúdos a escolha do
imaginário? Os Dirigentes não deveriam fazer uso de um
meio-termo entre os gostos dos miúdos e uma visão do que
possa ser (ou não) educativo?
Aliás, é imperativo que
toda e qualquer actividade tenha um imaginário? A moda diz
que sim, e, por isso, é natural que surjam aberrações.
Isto, partindo do princípio que um imaginário baseado na
Floribela é uma aberração, embora haja muito boa gente que
pense que não.
Na II secção, por exemplo,
usa-se a figura do Explorador como herói e modelo para os
miúdos. Às actividades, teima-se em chamar-lhes Aventuras.
Seria natural que a Aventura fossem interpretada
pelo Explorador. Mas, não. O Explorador só serve para dar
nome aos elementos da II Secção e para encher algumas
páginas de livros. A Aventura nem sequer precisa de ser uma
aventura, bastando que seja uma actividade da II Secção,
enquadrada por um tema e engendrada segundo um método. O
tema, portanto, pode ser uma coisa qualquer, inclusive a
Floribela, desde que vá ao encontro dos interesses e gostos
dos miúdos. Mesmo que não traga consigo qualquer mais valia
em termos de valores. Quase parece uma perspectiva de
consumo: não importa o quê, é preciso é ser consumível.
Não deveria haver alguma
orientação quando se trata do imaginário para uma
actividade (ou Aventura)? Não deveriam bater certo
os heróis e as referências com os temas adoptados?
Pedro Monteiro