Produção massiva
de recursos pedagógicos
Uma associação de
escuteiros, tal como qualquer outra associação, existe para
associar um conjunto de pessoas ou grupos de pessoas em torno
de objectivos, missões ou gostos comuns. No nosso caso,
une-nos o Escutismo.
Contudo, aquilo a que tão
vulgarmente chamamos de Escutismo, transcende frequentemente
o essencial e estica-se até aos horizontes da política, do
exibicionismo e da promoção pessoal. O Escutismo, importa
lembrar, resulta do conjunto de actividades e valores em que
envolvemos os jovens. E os jovens são envolvidos nos seus
Grupos e nas suas Patrulhas, nas suas reuniões, nos seus
raides, nos seus acampamentos, nas suas saídas para o campo,
nas suas boas acções e no serviço que prestam à
comunidade. Não é com um Acampamento Regional ou um Dia de
S. Jorge que formamos os jovens e lhes damos a educação
informal que o Escutismo é suposto proporcionar.
O Escutismo, o verdadeiro,
esse, é o que se vive nos Grupos e nas Patrulhas, semana
após semana, mês após mês, ano após ano, num trabalho
contínuo. Quer isto dizer que, quando pretendemos devotar
energias e atenção à área pedagógica, devemos focar-nos
essencialmente no trabalho que é feito pelos Chefes de
Unidade com as suas Patrulhas. É aí que deve residir a
aposta forte de uma associação que promove a educação.
Assim sendo, e tendo em
conta que uma estrutura nacional não pode estar em todos os
Grupos a dar ajuda e orientações, parece-nos óbvio que
essa mesma estrutura tem que trabalhar para que a ajuda e as
orientações possam chegar a quem lida semanalmente com os
nossos Escuteiros: o Chefe de Unidade e a sua Equipa de
Animação. Isto consegue-se produzindo um vasto leque de
recursos pedagógicos, abarcando a maior diversidade
possível de frentes em que o Chefe de Unidade trabalha e
batalha.
A força humana de um corpo
de profissionais a nível nacional não é, contudo,
suficiente ou garantia de um trabalho abrangente e de
qualidade. Achamos imprescindível que haja esse corpo de
profissionais, mas não podemos descurar o gigantesco
potencial que representam os milhares de Dirigentes
espalhados por todo o país. Estes Dirigentes, voluntários,
acumulam:
- a experiência de
vários anos a idealizar, preparar e colocar em
prática actividades;
- a experiência de lidar
directamente com crianças e jovens;
- uma imaginação quase
ilimitada;
- saberes técnicos,
práticos e teóricos, relativos ao Método Escutista
e a todas as suas vertentes;
- saberes técnicos,
resultantes das suas vidas profissionais.
Esta acumulação de
mais-valias para o Movimento e para a associação nunca foi
aproveitada, infelizmente. Estes Dirigentes, quando chamados
a reunir, seja a nível regional ou nacional, são
frequentemente transportados para discussões sem fim e
debates sobre o sexo dos anjos, dos quais saem
desiludidos e baralhados. E desaproveitados.
Não poderia toda esta massa
de adultos experientes e sabedores contribuir pujantemente
para uma produção massiva de recursos pedagógicos que
dotasse todos os Chefes de Unidade e Dirigentes de um leque
fantástico de ferramentas, ideias e orientações para o seu
trabalho com os jovens? Acreditamos que sim.
Por isso mesmo, parte do
trabalho do corpo de profissionais que a nível nacional se
encarregariam da área pedagógica, consistiria em convocar,
organizar, dinamizar e orientar encontros de Dirigentes,
destinados, precisamente, a partilhar ideias, experiências e
conhecimentos, para, em resultado, conceberem essa panóplia
de recursos pedagógicos para quem trabalha com os jovens,
que tanta falta faz a esta associação. O facto de haver
profissionais a liderar o processo, seria um garante de que,
no final, o resultado desses encontros traduzir-se-ia
efectivamente em recursos a disponibilizar e prontos a
utilizar, em vez de papéis e documentos engavetados por
falta de disponibilidade para os processar, compilar e dar
forma.
Estes encontros, em vez de
terem um carácter pontual e extraordinário, tornar-se-iam
um processo periódico e frequente na associação.
Encontros pedagógicos, se assim lhe quiséssemos
chamar. Grupos de trabalho constituídos em torno de áreas
de interesse comuns. Projectos inovadores ou de
concretização daquilo de que há muito se anda para fazer
mas nunca foi feito. Plataformas de partilha de conhecimentos
e ideias na Internet. Livros, manuais, CDs e
DVDs, fichas técnicas, páginas web, jogos, etc. Nada
é demais quando queremos dar o melhor aos nossos jovens.